Por Luciano Elias Reis
A inovação surge sem dúvidas para a satisfação das necessidades humanas. A dúvida que fica é: a inovação é criada para a satisfação da necessidade humana ou o mercado, por meio do produtor, induz a inovação para criar a necessidade humana?
A Visão de Schumpeter Sobre Inovação
Seguindo a diretriz defendida por Schumpeter, ao que parece acertada, por sinal, é o produtor que modifica o aparato produtivo com o intuito de mudar a atividade econômica e direcionar os consumidores, a fim de quererem “coisas novas ou que diferem em um aspecto ou outro daquelas que tinham o hábito de usar”.
Em outras palavras, “apesar de ser permissível e até necessário considerar as necessidades dos consumidores como uma força independente e, de fato, fundamental na teoria do fluxo circular”, a respectiva vontade do consumidor é direcionada e induzida em favor da inovação e do mercado.
As Três Etapas da Inovação
Defende-se que a inovação possui um ciclo para o seu aparecimento e tem fases. Sequencialmente, possui três etapas:
1. Invenção
A qual esteve sempre na humanidade.
2. Imitação ou Difusão
Que é comum nos mercados baseados pela produção e terceirização de produtos de consumo.
3. Inovação
É uma estratégia para a sustentabilidade econômica das organizações do século XXI, que necessitam de produtos e novidades para acompanhar a dinâmica contemporânea.
Inovação Aberta vs. Inovação Fechada
Quanto às fases, pode ser classificada como aberta ou fechada.
Inovação fechada “limita o processo inovador aos conhecimentos, conexões e tecnologias desenvolvidos dentro das organizações, sem participação de instituições externas ou outras empresas no processo”.
Inovação aberta busca o conhecimento das universidades, de outras organizações parceiras e do mercado por meio dos consumidores, fornecedores e canal de distribuição, por isso é passível de ser usada até a denominação “Conectividade e Desenvolvimento” adicional à tradicional “Pesquisa e Desenvolvimento”.
Inovação Além do Mercado
Compete enfatizar que, conquanto o intuito inovador em geral esteja tratado nas mais diversas literaturas como algo para o mercado e para a obtenção de vantagem ante os demais concorrentes, seja para diminuição de custos, para majoração de lucro, aumento de vendas ou outro objetivo qualquer, o fato é que a inovação deve ser encarada para toda e qualquer relação, independentemente de ser integrante do Estado, da sociedade civil ou do mercado.
Inovação Não é Invenção
Num sentido leigo e comum, a inovação pode ser confundida com o descobrimento ou a invenção, como se fossem sinônimos. Essa é uma falsa associação. A inovação não precisa gerar um produto ou um serviço novo. Basta que haja a produção de outras coisas ou de mesmas coisas com a combinação de materiais e forças que demandem um método diferente.
Inovação nas Contratações Públicas
Por tal rápido raciocínio exposto, é incontroverso que a inovação representa uma aspiração necessária por todos os agentes que se relacionam no ecossistema, inclusive o Estado (seja na qualidade de comprador ou vendedor, esporadicamente) e os seus respectivos fornecedores. Por isso, encarar a inovação como uma pauta necessária na contratualização administrativa é de fato compreender que o Estado não pode se furtar de inserir na sua agenda de política pública.
Por sua vez, inovar na arquitetura da contratualização administrativa, seja do ponto de vista procedimental quanto substancial, deve ser avaliada como uma necessidade constante, inclusive para tentar absorver os avanços do mercado de fornecedores, da tecnologia de ponta e das modificações voláteis de relação negocial na cadeia produtiva.
Novos Institutos no Horizonte
Neste diapasão, alguns recentes institutos poderão sobressair, tais como, o marketplace, o credenciamento no mercado fluído, a robotização, a quarteirização, dentre outros, mas daí já é assunto para outros ensaios e reflexões. Até a próxima!